Por Diego Chierighini, engenheiro civil e diretor executivo do INAITEC (Instituto de Apoio à Incubação, Ciência e Tecnologia)
Integrar aceleração e internacionalização desde as fases iniciais prepara startups para competir em mercados globais, ampliar parcerias e acelerar seu crescimento
Durante muito tempo a internacionalização foi tratada como uma etapa final na jornada de uma startup. Primeiro valida no mercado local, depois cresce, estrutura processos, ganha fôlego financeiro, e só então começa a olhar para fora. No entanto, se olharmos para os negócios de hoje, esse modelo não corresponde mais à velocidade do mercado, nem às ambições das startups que nascem em ecossistemas cada vez mais conectados.
Pensar global desde cedo é uma necessidade, e não um diferencial. E é exatamente nesse ponto que a aceleração precisa evoluir. Não basta preparar a startup para crescer, é preciso prepará-la para o mundo.
No Inaitec, temos visto isso de forma clara ao longo dos últimos anos. Startups que incorporam a lógica da internacionalização desde as fases iniciais tomam decisões assertivas e estratégicas, o que as coloca no caminho para construírem produtos mais competitivos e ganharem maturidade rapidamente. Elas vão além da venda fora do país. Elas entendem mercados, acessam inovações, formam novas parcerias e ampliam sua visão de negócio.
Essa percepção se fortaleceu a partir das missões internacionais que realizamos recentemente com startups impulsionadas pelo ecossistema Inaitec, passando por ambientes como Barcelona, Dubai e o Vale do Silício. Estar nesses polos deixou claro que o mercado global não é um conceito abstrato, ele é acessível, desde que a empresa esteja minimamente preparada.
A partir de missões como essas, defendemos que aceleração e internacionalização não devem ser programas separados, já que, quando essas duas frentes caminham juntas, o ganho para a startup é muito maior. A capacitação passa a ser orientada para desafios reais de mercado; o planejamento se conecta com oportunidades fora do Brasil; e os recursos investidos fazem mais sentido para o estágio da empresa.
Esse modelo integrado se mostra ainda mais relevante quando olhamos para o perfil das startups que participam de programas públicos de fomento. Muitas delas atingiram um nível elevado de maturidade, faturamento e estrutura, e não se beneficiam de uma aceleração pensada exclusivamente para empresas que estão começando do zero. Para essas startups, o valor está em acessar novos mercados, proteger sua inovação, estruturar presença internacional e gerar negócios fora do país.
É nesse contexto que iniciativas de internacionalização fortalecem sua empresa no mercado, com ações como missões empresariais bem planejadas, conectadas a processos de capacitação, aceleração estratégica e serviços técnicos especializados. Missões são ferramentas de negócio. Se estiverem alinhadas ao mercado-alvo da startup, ao seu momento de crescimento e aos objetivos que ela quer alcançar, os resultados serão gratificantes.
No Inaitec, continuaremos com iniciativas que promovam esses resultados para nossas empresas. No segundo semestre, por exemplo, estamos estruturando novas missões internacionais, como a de Miami, prevista para agosto.
Quando a startup entende, desde cedo, que o seu mercado pode, e muitas vezes deve, ser global, ela muda a forma como pensa produto, modelo de negócio e crescimento. Minha experiência mostra que internacionalizar é um processo que ajuda a startup a se tornar pronta. E quando o ecossistema oferece suporte integrado para isso, o caminho se torna mais viável, menos arriscado e muito mais estratégico.
Pensar global desde o início é, acima de tudo, uma decisão de visão. E visão é o que diferencia empresas que apenas crescem daquelas que realmente escalam.
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