Com ecossistema tecnológico fortalecido, digitalização de serviços e investimentos em sustentabilidade, capital pernambucana amplia uso de tecnologia para melhorar a vida urbana
Recife foi reconhecida como a cidade mais inteligente do Nordeste pelo Ranking Connected Smart Cities, sendo referência nacional em inovação, tecnologia e gestão pública eficiente. O destaque ganha ainda mais relevância quando se observa o contexto nordestino: a região reúne 1.794 municípios e abriga cerca de 29,9% da população brasileira, sendo a segunda mais populosa do país. Trata-se de um território marcado por contrastes, onde grandes metrópoles com setores econômicos dinâmicos convivem com áreas do interior que ainda enfrentam desafios relacionados à vulnerabilidade social e ao acesso à água e à infraestrutura básica.
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O Nordeste, por outro lado, também se firma como protagonista nacional na transição energética. A região concentra parcela significativa dos parques eólicos instalados no Brasil e vive uma expansão consistente da geração solar, movimento que impulsiona investimentos, cria empregos e fortalece cadeias produtivas ligadas ao setor elétrico. Esse avanço da energia renovável tem provocado efeitos positivos na infraestrutura e na oferta de serviços, estimulando o desenvolvimento local. Ainda assim, permanecem desafios estruturais importantes, como a necessidade de ampliar a qualificação profissional, melhorar a malha de transportes e garantir maior eficiência na distribuição de água, a fim de reduzir desigualdades internas.
Nesse cenário, capitais como Fortaleza e Recife assumem protagonismo no campo das cidades inteligentes. Fortaleza é reconhecida pelo uso intensivo de tecnologia na mobilidade urbana e na gestão de dados, enquanto a capital pernambucana se destaca por seu robusto ecossistema de inovação, ancorado no Porto Digital, um dos principais ambientes de tecnologia e economia criativa da América Latina.
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O Porto Digital, instalado no bairro do Recife Antigo, funciona como uma espécie de “microcidade” voltada à experimentação tecnológica. O polo reúne empresas de software, serviços de Tecnologia da Informação e Comunicação e iniciativas ligadas à economia criativa, além de atuar diretamente em projetos voltados ao futuro das cidades. O ambiente opera como um laboratório vivo, permitindo testar soluções digitais aplicadas à mobilidade, à gestão urbana e à melhoria da qualidade de vida. Um exemplo foi o projeto Porto Leve, que incluiu o primeiro sistema de compartilhamento de carros elétricos do país, desenvolvido em parceria com empresas do setor, incentivando alternativas sustentáveis de deslocamento nos horários de maior fluxo.
A consolidação de Recife como cidade inteligente também passa pela atuação estratégica da EMPREL, empresa municipal de informática vinculada à Prefeitura. Com mais de uma centena de sistemas implantados, a empresa é responsável pelo desenvolvimento, manutenção e hospedagem de plataformas digitais que atendem às diversas secretarias e órgãos municipais. Desde 2013, a EMPREL vem ampliando iniciativas voltadas ao cidadão, como o Portal de Dados Abertos, o Portal da Transparência e o programa Conecta Recife, que disponibiliza internet gratuita em diferentes pontos da cidade.
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A digitalização de serviços públicos é outro pilar dessa transformação. Processos que antes exigiam deslocamentos e trâmites burocráticos em várias secretarias passaram a ser realizados integralmente online, como o licenciamento para funcionamento de atividades comerciais, industriais e de serviços, integrando áreas como urbanismo, meio ambiente e vigilância sanitária em um fluxo virtual unificado. Na mobilidade, ferramentas como o portal Bate Pronto permitem registrar ocorrências de trânsito sem vítimas de forma digital, enquanto a Zona Azul eletrônica modernizou a gestão das vagas de estacionamento público, ampliando a transparência e reduzindo interferências indevidas.
O município também investe em governança de dados e parcerias internacionais. Há projetos voltados à centralização e integração de informações públicas, com a criação de um hub que reúne dados governamentais e extragovernamentais em formatos acessíveis, como gráficos, tabelas e estatísticas, estimulando pesquisas e a participação social. A cidade já disponibiliza bases de dados em nível detalhado, reforçando o compromisso com a transparência e com a tomada de decisões baseada em evidências.
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Na agenda ambiental, Recife desenvolveu seu primeiro inventário de emissões de gases de efeito estufa, em parceria com o ICLEI- Governos Locais pela Sustentabilidade e com o programa ONU-Habitat. O levantamento permitiu mapear as principais fontes de emissão e estabelecer estratégias voltadas a um desenvolvimento urbano de baixo carbono, alinhando-se às tendências globais de sustentabilidade.
O reconhecimento no Ranking Connected Smart Cities reflete, portanto, um conjunto articulado de políticas públicas, investimentos em tecnologia, estímulo à inovação e compromisso com a transparência e a sustentabilidade. Em um país que passou por intensa urbanização ao longo do século XX, processo que trouxe ganhos econômicos, mas também desafios estruturais, Recife demonstra como o uso estratégico de capital humano, tecnologia da informação, mobilidade inteligente e governança de dados pode elevar a eficiência dos serviços públicos, reduzir custos e aproximar governo e sociedade. Ao liderar o Nordeste nesse indicador, a capital pernambucana reforça seu papel como referência nacional na construção de uma cidade mais conectada, inclusiva e preparada para o futuro.
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