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Cidades resilientes: o fomento à inovação como antídoto para tragédias anunciadas

Stefani Capriolli Gonçalves
Stefani Capriolli Gonçalves
 Mestranda em Planejamento e Gestão de Cidades Sustentáveis pela Universidade de Caxias do Sul (UCS) e graduada em Processos Gerenciais. Atua como pesquisadora no City Living Lab da UCS, com foco em planejamento urbano, cidades inteligentes, sustentabilidade e análise de dados aplicados à gestão pública. Integra o projeto AgroCity, voltado ao uso de dados e inovação tecnológica para o desenvolvimento territorial.

Por Stéfani Caprioli e Jamile Sabatini Marques

Transformar dados climáticos em infraestrutura estratégica e incentivar o ecossistema de climate techs são caminhos essenciais para converter a previsibilidade científica em proteção real e crescimento econômico sustentável.

As cidades exercem hoje um papel decisivo diante dos eventos climáticos extremos. Ao mesmo tempo em que enfrentam os impactos de enchentes, secas e queimadas, também detêm a capacidade de definir como responder a esses desafios. A repetição de tragédias evidencia a distância entre o conhecimento científico disponível e sua incorporação no planejamento público. Transformar o previsível em prevenção demanda integrar tecnologia às decisões políticas e corporativas.

A expansão urbana, muitas vezes, supera a velocidade das políticas de adaptação, ampliando a vulnerabilidade em áreas de risco socioambiental. No Brasil, os impactos climáticos se manifestam de forma desigual: enquanto o Norte e o Nordeste enfrentam estiagens severas, o Sul lida com inundações recorrentes. Dados da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) apontam que, entre 2020 e 2023, a média anual de desastres climáticos chegou a 4.077 registros, quase o dobro do observado nas duas décadas anteriores. Insistir em respostas apenas reativas é uma estratégia custosa, ineficiente e socialmente injusta.

Para mudar esse cenário, é fundamental fortalecer políticas de fomento à inovação voltadas à mitigação climática. O incentivo a startups, universidades e centros de pesquisa especializados em climate techs permite o desenvolvimento de soluções adaptadas à realidade local, como sensores de baixo custo e modelos avançados de predição. Incentivos fiscais, editais de inovação aberta e linhas de crédito específicas para software e dados climáticos representam uma estratégia que reúne política ambiental, inteligência econômica e soberania tecnológica.

Defendemos que os dados climáticos sejam tratados como infraestrutura estratégica das cidades. A informação precisa orientar decisões públicas de forma contínua, integrada e transparente, assumindo papel ativo na gestão do território. Mapas de suscetibilidade, cenários preditivos e sistemas de alerta precoce devem guiar licenciamentos, fiscalizações e protocolos de emergência, sobretudo em encostas, várzeas e áreas sujeitas a incêndios.

Essa abordagem exige investimentos preventivos em drenagem, contenção e segurança hídrica, priorizando territórios mais vulneráveis. A articulação entre defesa civil, planejamento urbano, meio ambiente e saúde é indispensável, assim como políticas habitacionais que ofereçam alternativas dignas. A inteligência climática como fundamento da gestão pública reduz perdas, preserva vidas e transforma riscos conhecidos em decisões baseadas em evidências. Em última instância, preparar-se para os desastres significa decidir que tipo de cidade — e de futuro coletivo — estamos dispostos a construir.

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 Mestranda em Planejamento e Gestão de Cidades Sustentáveis pela Universidade de Caxias do Sul (UCS) e graduada em Processos Gerenciais. Atua como pesquisadora no City Living Lab da UCS, com foco em planejamento urbano, cidades inteligentes, sustentabilidade e análise de dados aplicados à gestão pública. Integra o projeto AgroCity, voltado ao uso de dados e inovação tecnológica para o desenvolvimento territorial.