Vitória, Florianópolis e Niterói lideram o ranking nacional ao combinar inovação, planejamento urbano, sustentabilidade e gestão pública orientada por dados.
O Ranking Connected Smart Cities 2025 voltou a colocar em evidência as cidades brasileiras que mais avançaram na construção de soluções inteligentes, sustentáveis e conectadas. Considerado a principal referência nacional para medir o grau de desenvolvimento urbano no país, o estudo chegou à sua 11ª edição marcando o início de um novo ciclo de dez anos, agora com abrangência ampliada para os 5.570 municípios brasileiros. A metodologia atualizada analisa 75 indicadores distribuídos em 13 áreas temáticas, como mobilidade urbana, meio ambiente, tecnologia, governança, educação, saúde e inovação, adotando parâmetros das normas ISO ABNT e métricas inéditas, com dados disponibilizados pela plataforma Plancity. Em 2025, Vitória (ES), Florianópolis (SC) e Niterói (RJ) ocuparam, respectivamente, a primeira, segunda e terceira posições no ranking geral, revelando trajetórias distintas, mas com pontos em comum que ajudam a explicar seus desempenhos de destaque.
Vitória assumiu a liderança nacional ao superar Florianópolis, campeã da edição anterior, consolidando-se também como a cidade mais bem colocada da região Sudeste. O avanço da capital capixaba reflete investimentos consistentes na modernização dos serviços urbanos, na governança digital e na integração entre desenvolvimento econômico e sustentabilidade. Além do primeiro lugar no ranking geral, Vitória alcançou a segunda posição nos eixos de Economia e Finanças e de População, Condições Sociais e Educação. No campo econômico, a cidade registrou crescimento de 15% no número de empresas e aumento de 1,8% nos empregos formais, com renda média superior a R$ 4.450. Na educação, os indicadores mostram avanços relevantes, como a ampliação de vagas na educação infantil, um Ideb de 4,9 e uma forte presença de dispositivos digitais nas escolas. A cidade também se destacou na saúde, com mais de 531 leitos hospitalares por 100 mil habitantes, aumento no número de médicos e a implementação de prontuário eletrônico unificado para parte da população, evidenciando o uso da tecnologia como ferramenta estratégica de gestão pública.
Florianópolis, por sua vez, aparece na segunda colocação geral e mantém a liderança entre as cidades da região Sul, além de ocupar o primeiro lugar no eixo de Inovação e Empreendedorismo. A capital catarinense construiu um dos ecossistemas de tecnologia mais dinâmicos do país, com 10% da força de trabalho empregada em atividades de tecnologia da informação e comunicação e 5% em educação, pesquisa e desenvolvimento. O crescimento das empresas de economia criativa e o número expressivo de startups, que já soma 107, reforçam esse perfil inovador. A cidade desenvolve uma agenda estruturada de longo prazo, como a Smart Floripa 2030, que articula inovação, turismo e economia criativa com soluções urbanas baseadas em dados, interoperabilidade e parcerias entre poder público, universidades e setor privado. Florianópolis também se destaca na área ambiental e de saneamento, alcançando cobertura total na coleta de resíduos domiciliares, índices de reciclagem acima da média nacional e elevados percentuais de acesso à água potável e tratamento de esgoto, o que reforça sua reputação como referência em qualidade de vida e sustentabilidade.
Niterói completa o pódio ao conquistar a terceira posição no ranking geral, após avançar duas colocações em relação a 2024. O município fluminense se destaca especialmente no eixo de Economia e Finanças, no qual ocupa a liderança nacional, refletindo uma gestão fiscal sólida e investimentos estratégicos. O produto per capita elevado, o crescimento no número de empresas e a renda média dos trabalhadores formais demonstram a força econômica da cidade. Niterói também apresenta desempenho consistente em saneamento, com cobertura praticamente universal de coleta e tratamento de esgoto e abastecimento de água, além de bons resultados em inovação e empreendedorismo, integrando o grupo das 15 cidades mais bem posicionadas nesse eixo. A presença de profissionais em áreas de tecnologia, pesquisa e desenvolvimento, somada ao crescimento da economia criativa, indica um movimento de diversificação econômica alinhado às tendências das cidades inteligentes. Na saúde, os indicadores também são expressivos, com ampla oferta de leitos, alta proporção de médicos por habitante e elevados índices de imunização.
Apesar de trajetórias distintas, Vitória, Florianópolis e Niterói compartilham características centrais que ajudam a explicar suas posições de destaque no Ranking Connected Smart Cities 2025. As três cidades apresentam planejamento de longo prazo, uso estratégico de dados e tecnologia na gestão pública, investimentos contínuos em educação, inovação e infraestrutura urbana, além de políticas que integram desenvolvimento econômico, sustentabilidade e qualidade de vida. O comparativo entre elas revela que não existe um único modelo de cidade inteligente, mas sim caminhos diversos sustentados por governança eficiente, colaboração entre setores e foco no cidadão. Como destaca Paula Faria, idealizadora do Connected Smart Cities e CEO da Necta, “o ranking evidencia que os municípios brasileiros passaram a incorporar inovação e tecnologia como instrumentos centrais para aprimorar os serviços públicos. Em comum, as três líderes de 2025 mostram que inteligência urbana é resultado de visão estratégica, continuidade administrativa e compromisso com o futuro das cidades”.







