Como pequenas decisões do comércio local ajudam a construir cidades mais inteligentes
Sempre que o assunto “Cidades Inteligentes” aparece, as pessoas me perguntam as mais variadas coisas, sempre seguidas de visões futurísticas e de uma imaginação que surpreenderia até os mais criativos diretores de filmes de ficção.
Existe uma ideia de que modernizar a mobilidade urbana é uma tarefa exclusiva de alguns atores, como governos, grandes empreiteiras ou corporações. No entanto, quem vive a realidade das ruas e a gestão do dia a dia sabe que a verdade é bem mais “pé no chão”.
A verdadeira cidade não é desenhada apenas dentro de uma sala e um amontoado de projetos. Podemos dizer que ela é construída e transformada dia após dia pela própria sociedade e pela economia regional. Hoje, quero abordar um desses pontos, que é quem abre as portas do comércio local: o pequeno e médio empreendedor.
Essa perspectiva muda tudo, pois coloca o dono da padaria, da clínica, do escritório ou da loja de bairro como protagonista. Muitas vezes até involuntário. O que quero dizer com isso é que em dado momento ele sequer percebe seu papel nesse processo de planejamento urbano.
Vamos fazer um exercício. No seu dia a dia, você já parou para refletir sobre o impacto que um pequeno ou médio negócio causa ao se instalar na esquina da sua rua? De imediato já dá para pensar que ele vai alterar a rotina daquela região,
atraindo pessoas, fornecedores, veículos e por aí vai. É nesse momento que a responsabilidade social se conecta com a oportunidade de negócio, pois a forma como esse empreendedor lida com o fluxo que ele mesmo gerou define se ele será um gargalo ou uma solução para o bairro.
Adicionando um novo fator a isso, pense nesse mesmo local, mas agora com um fator adicional: um espaço de estacionamento. Essa garagem deixa de ser apenas um detalhe operacional para se tornar uma “ferramenta de transformação”, como gosto de chamar.
Quando esse empresário entende a relevância em oferecer uma solução de parada, ele está fazendo muito mais do que proporcionar ao cliente um benefício. Ele está liberando a via pública, reduzindo a fila dupla que trava os outros automóveis e por aí vai. Essa atitude nos leva a redefinir o que é, de fato, inteligência urbana.
Respondendo o primeiro ponto deste texto, sempre digo que cidades inteligentes são construídas com o somatório de pequenas decisões capazes de tornar a vida das pessoas mais eficiente. Inserindo as PMEs na conversa, “inovação” no estacionamento passa por processos lógicos, sinalização clara e uma gestão que priorize a fluidez. A tecnologia hoje está acessível para isso, permitindo que até operações enxutas tenham controle sem abrir mão da praticidade e da boa experiência do cliente.

Thiago Piovesan é CEO da Indigo Brasil, líder mundial em gestão de estacionamentos e mobilidade individual. Presente em mais de 350 cidades de 10 países, a empresa trabalha para criar espaços que propiciem jornadas tranquilas, conectando serviços e modais de mobilidade aos usuários e ajudando no desenvolvimento de cidades inteligentes e agradáveis para as pessoas.






