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O investimento de R$ 10 trilhões que será feito no Brasil e que pode mudar vida dos brasileiros para sempre

E não é para melhor: riscos de saúde e falta d’água são consequências deste tipo de investimento

O Brasil deve se tornar um dos principais destinos globais de investimentos em data centers, com aportes que podem chegar a US$ 3 trilhões nos próximos cinco anos, segundo relatório da agência Moody’s. O crescimento é impulsionado pelo avanço da inteligência artificial, da computação em nuvem e dos serviços digitais.

Atualmente, o país ocupa a 12ª posição no ranking mundial e lidera o mercado na América Latina, concentrando cerca de 50% dos data centers da região, com aproximadamente 200 empreendimentos. A previsão é de investimentos entre R$ 60 bilhões e R$ 100 bilhões nos próximos quatro anos.

O governo federal aposta na expansão desse setor como parte da estratégia de transformação digital. Um dos principais atrativos, segundo o Ministério das Comunicações, é a disponibilidade de energia renovável, água e a posição estratégica do Brasil nas rotas internacionais de dados, graças aos cabos submarinos.

Para estimular o setor, foi criada a Política Nacional de Data Centers, vinculada à Nova Indústria Brasil (NIB), além do Redata, regime especial de tributação que prevê R$ 5,2 bilhões no orçamento de 2026 para incentivar novos empreendimentos.

Os impactos ambientais dos data centers

No entanto, ativistas alertam que a expansão acelerada desse tipo de infraestrutura traz impactos ambientais e sociais relevantes, especialmente sobre o consumo de energia, a segurança hídrica e a saúde das populações locais.

Data centers consomem quantidades massivas de eletricidade para manter servidores funcionando 24 horas por dia. Esse consumo pressiona redes elétricas já sobrecarregadas, aumentando o risco de apagões ou de tarifas mais altas para a população.

Além disso, os sistemas de resfriamento dessas instalações utilizam volumes de água comparáveis aos de uma cidade de pequeno porte. Em regiões com escassez hídrica, a retirada intensiva de água pode esgotar aquíferos, afetar o abastecimento urbano e comprometer atividades agrícolas.

Quando a rede elétrica não consegue atender à demanda, muitos centros recorrem ao uso de geradores a diesel ou gás, o que agrava a poluição do ar e aumenta a incidência de problemas respiratórios nas comunidades vizinhas.

Um relatório recente da Agência Internacional de Energia (IEA) estima que os data centers consumiram 415 TWh de eletricidade em 2024, cerca de 1,5% da energia global, e que esse número pode chegar a 945 TWh até 2030, quase 3% do consumo mundial.

Nos Estados Unidos, uma análise do Laboratório Nacional Lawrence Berkeley apontou que os data centers utilizaram 17 bilhões de galões de água em 2023 — volume suficiente para abastecer cerca de 145 mil residências por um ano.

Fonte: Revista Fórum

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