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Inteligência Artificial no Setor Público: a tecnologia já chegou, a pergunta é quem vai saber usá-la

Giovani Bernardo
Giovani Bernardo
Co-fundador e CEO da Exxas Smart City Bureau e da Habitat 4.0 e mentor da Locomotiva Aceleradora. Atuou como Secretário de Desenvolvimento Econômico, Tecnologia e Inovação de Tubarão/SC 2017/2023 e Vice Presidente de Desenvolvimento Regional do Fórum Inova Cidades entre 2021/2023.

A inteligência artificial tem potencial para redefinir a gestão pública, mas, na prática, a maioria dos governos ainda não consegue transformar esse potencial em resultado real para o cidadão.

Estudos internacionais indicam que mais de 60% das iniciativas de IA no setor público não passam da fase experimental, enquanto equipes seguem sobrecarregadas, processos continuam analógicos e decisões continuam sendo tomadas de forma reativa. No Brasil, esse desafio é ainda mais evidente: a baixa maturidade digital, somada à ausência de método, governança e capacidade de execução, faz com que a IA seja vista ora como promessa milagrosa, ora como risco institucional, quando, na verdade, deveria ser tratada como um instrumento estratégico para melhorar políticas públicas, serviços e a vida das pessoas.

Enquanto o debate público ainda oscila entre o entusiasmo exagerado e o medo do desconhecido, a IA já está sendo usada, na prática, para reduzir filas, combater fraudes, prever evasão escolar, melhorar a segurança pública e tornar a gestão mais eficiente. O risco, hoje, não está em avançar rápido demais, está em ficar parado.

Onde a inteligência artificial já gera valor para os governos

Quando aplicada com propósito, a IA se torna uma aliada poderosa da boa gestão pública. Entre os principais benefícios, destacam-se:

  • Mais eficiência com menos recursos: automação de tarefas repetitivas, análise rápida de grandes volumes de dados e apoio à tomada de decisão reduzem desperdícios e liberam servidores para atividades mais estratégicas.
  • Antecipação de problemas: a IA permite identificar riscos antes que eles se tornem crises, como evasão escolar, sobrecarga de serviços de saúde ou gargalos orçamentários.
  • Melhoria do atendimento ao cidadão: assistentes virtuais, serviços digitais inteligentes e respostas mais rápidas aumentam a qualidade da experiência do usuário com o poder público.
  • Mais transparência e controle: algoritmos já ajudam órgãos públicos a identificar irregularidades em compras, contratos e processos, fortalecendo a governança e o uso responsável dos recursos.

Esses ganhos não são teóricos. Eles já estão acontecendo em municípios e órgãos públicos brasileiros. O que diferencia quem avança de quem apenas observa é a forma como a inovação é conduzida.

Os principais desafios: tecnologia não resolve sozinha

Apesar do potencial, a adoção da inteligência artificial no setor público esbarra em obstáculos conhecidos:

  • Falta de estratégia clara: muitas iniciativas surgem de forma isolada, sem conexão com prioridades reais da gestão.
  • Baixa maturidade digital: sem dados organizados e processos minimamente estruturados, a IA simplesmente não funciona.
  • Resistência cultural: equipes temem a tecnologia ou não sabem como usá-la de forma prática no dia a dia.
  • Dificuldade de sair do piloto: projetos até começam bem, mas não escalam, não geram impacto sistêmico e acabam se perdendo ao longo do tempo.

O ponto central é simples: inteligência artificial sem método vira experimento. Com método, vira política pública.

O papel da Exxas: transformar potencial em resultado

É exatamente nesse ponto que entra a Jornada da Inovação da Exxas. Mais do que falar de tecnologia, a Exxas atua para estruturar a capacidade dos governos de inovar com responsabilidade e impacto.

A Jornada apoia gestores públicos a:

  • Identificar onde a IA realmente faz sentido, a partir dos desafios concretos do município ou órgão;
  • Criar governança, processos e rotinas para que a inovação não dependa de pessoas isoladas;
  • Capacitar equipes e lideranças, reduzindo resistências e aumentando a adoção prática;
  • Conectar governos a soluções, ecossistemas e parceiros certos;
  • Garantir que projetos saiam do piloto, ganhem escala e gerem resultados mensuráveis para o cidadão.

O foco não está na tecnologia em si, mas em usar a tecnologia como meio para melhorar políticas públicas, serviços e a qualidade de vida da população.

A escolha que está diante dos gestores públicos

A inteligência artificial já está redesenhando o setor público. A diferença é que alguns governos estão usando essa transformação para se tornarem mais eficientes, humanos e estratégicos, enquanto outros seguem presos a modelos que não respondem mais à complexidade atual.

A pergunta que fica não é se a IA vai impactar a gestão pública.

Ela já está impactando.

A pergunta real é: seu governo vai liderar esse processo ou apenas reagir a ele?

As ideias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Portal CSC

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