Frio fora de época, ventos extremos, ciclones, tornados e calor recorde marcaram a retrospectiva climática de 2025 e reforçaram o clima como fator estratégico para o país
Pelos meteorologistas da Climatempo – revisão de Vitor Takao e Caroline Salgado Frutuoso
O ano de 2025 ficará marcado na história climática do Brasil como um período de fortes contrastes e eventos extremos persistentes. Foi o ano em que o frio chegou mais cedo, permaneceu por mais tempo do que o habitual e dividiu espaço com ventos intensos, chuvas extremas, tornados, granizo e, ao final, calor recorde em grandes cidades. Um retrato claro de como a variabilidade climática no Brasil vem se intensificando e de como o clima passou a ocupar papel central nas decisões da sociedade.
Desde o fim de maio, o país passou a sentir os efeitos das primeiras massas de ar polar realmente intensas de 2025, antecipando um padrão que se repetiria ao longo do ano. O frio se destacou especialmente no Sul e no Sudeste, com agosto apresentando temperaturas médias abaixo da média histórica em grande parte do Brasil. No Rio Grande do Sul, as temperaturas permaneceram dentro ou abaixo da climatologia por vários meses consecutivos, reforçando a persistência do frio.
Um dos episódios mais simbólicos do ano ocorreu em 20 de outubro, quando a cidade de São Paulo registrou 11,2°C, a menor temperatura para o mês em 11 anos. O evento ganhou destaque por acontecer em plena primavera, fora do período típico de frio mais intenso, e ajudou a consolidar a percepção de um ano atipicamente frio em diversas regiões do país.
Ao mesmo tempo, 2025 foi marcado por eventos extremos associados ao vento, que ganharam protagonismo ao longo do ano. Episódios de ventania intensa foram registrados em diferentes meses, com destaque para julho e setembro, quando rajadas próximas ou superiores a 100 km/h atingiram áreas do litoral paulista e a capital, causando transtornos urbanos, quedas de árvores e impactos na infraestrutura.
O auge desse padrão ocorreu em dezembro, com a formação de um forte ciclone extratropical no Sul do Brasil. O sistema provocou ventania, tornados e impactos significativos em áreas do Sul e do Sudeste. Em São Paulo, houve registros de queda de árvores, interrupções no fornecimento de energia e transtornos urbanos relevantes. No dia 10 de dezembro, o aeroporto de Congonhas registrou rajada de 96,3 km/h, a mais intensa em ambiente seco desde o início das medições, em 1963.
As chuvas extremas também tiveram papel central na retrospectiva climática de 2025. Em junho, o Rio Grande do Sul enfrentou um dos episódios mais expressivos do ano, com acumulados superiores a 300 mm e até 400 mm em poucos dias em alguns municípios, além de volumes excepcionais em apenas 24 horas. O evento resultou em alagamentos, inundações e impactos diretos sobre a infraestrutura e a população, com reflexos econômicos e sociais.
Na primavera, os temporais severos se intensificaram, com destaque para o tornado F4 registrado em novembro em Rio Bonito do Iguaçu (PR), associado à atuação de supercélulas durante a formação de um ciclone extratropical. A caracterização dos tornados ocorridos no Sul do país foi realizada por especialistas da Climatempo que atuam em apoio técnico à Defesa Civil do Rio Grande do Sul, a partir da análise de dados meteorológicos, imagens, registros de campo e padrões de danos observados. Episódios de granizo com impactos relevantes também foram registrados em municípios do Sul e do Sudeste, reforçando o caráter severo da estação.
Outras regiões do país também viveram padrões climáticos fora do habitual. O litoral da Bahia, incluindo Salvador, registrou chuvas volumosas em outubro e novembro, meses que tradicionalmente não concentram os maiores acumulados. Na Amazônia, o chamado “verão amazônico” praticamente não se configurou, com manutenção de chuvas frequentes mesmo no período climatologicamente mais seco.
E, como se não bastasse um ano dominado pelo frio e pelos ventos, dezembro trouxe um contraste climático marcante. No dia 28, a cidade de São Paulo atingiu 37,2°C, estabelecendo o recorde histórico de temperatura para o mês de dezembro, um exemplo claro de como extremos opostos podem coexistir em um mesmo ano.
A retrospectiva climática de 2025 reforça uma mensagem central: o clima não é apenas um tema de observação, é uma variável crítica de planejamento e gestão de risco. Os impactos sobre cidades, infraestrutura, energia, logística, agronegócio e saúde pública tornam cada vez mais evidente a necessidade de decisões baseadas em informação meteorológica e climática qualificada.
Na Climatempo, acompanhar, interpretar e traduzir esses dados é mais do que um trabalho técnico, é um compromisso com a sociedade. O ano de 2025 mostrou, mais uma vez, que compreender o clima é essencial para reduzir riscos, aumentar a resiliência e preparar a sociedade, defesas civis e empresas para os impactos meteorológicos.
Alguns dos maiores destaques climáticos de 2025 no Brasil
- Fim de maio: início das primeiras massas de ar polar intensas de 2025, marcando a chegada antecipada do frio no Brasil.
- Junho: chuvas extremas no Rio Grande do Sul chamaram atenção nacional, com acumulados acima de 300 mm e até 400 mm em poucos dias, provocando alagamentos e inundações severas.
- Agosto: mês marcado por temperaturas abaixo da média em grande parte do Brasil, consolidando 2025 como um dos anos mais frios da última década em várias regiões.
- 20 de outubro: frio histórico em plena primavera — São Paulo registra 11,2°C, o dia mais frio de outubro em 11 anos, fora do padrão climático esperado.
- Julho e setembro: ventos extremos voltam a atingir o Sudeste, com rajadas próximas ou superiores a 100 km/h, causando transtornos urbanos e quedas de energia.
- Novembro: tornado F4 no Sul do Brasil — evento de alto impacto, caracterizado por especialistas da Climatempo em apoio à Defesa Civil do Rio Grande do Sul.
- Dezembro: formação de um ciclone extratropical raro para a época do ano, com ventania ciclônica, tornados e danos significativos no Sul e no Sudeste.
- 10 de dezembro: rajada histórica de vento em São Paulo — Congonhas registra 96,3 km/h, a mais intensa em ambiente seco desde 1963.
- 28 de dezembro: calor extremo no fim do ano — São Paulo atinge 37,2°C, estabelecendo o recorde histórico de temperatura para o mês de dezembro.
Fonte: Climatempo







