A bicicleta moderna surgiu no final do século XIX. Os homens adotaram seu uso mais rapidamente que as mulheres por um simples motivo: eles usavam calças. A vestimenta das mulheres, vestidos e saias pesadas, dificultavam as pedaladas. E em alguns lugares, como Paris, era proibido por lei, mulheres usarem calças.
Em 1818, nasce nos EUA, Amélia Jenks Bloomer que se casa em 1840, aderindo o sobrenome Bloomer do marido. Ela se tornou uma espécie de pilar político e social, uma das sufragistas da época, na briga pelos direitos das mulheres. Em 1849, fundou seu próprio jornal, “The Lilly”.
E foi assim que Amélia Bloomer, divulgou em seu jornal, o uso de calças bufantes acima do tornozelo, criado pela ativista Elizabeth Smith Miller, uma vestimenta muito mais prática para as mulheres e que ainda é moda atualmente.
Logo depois, em Paris, a lei da “proibição de calças para mulheres” afrouxou, e somente para pedalar, as mulheres poderiam usar essa vestimenta.
Outras reviravoltas, com vários altos e baixos, aconteceram até chegar nas calças jeans em 1940.
Toda essa incrível parte da história da moda, vai de encontro à liberdade e ao papel fundamental da bicicleta na emancipação da mulher.
A bicicleta foi a força libertadora para as mulheres. Pedalar era uma forma de se locomover para curtas e médias distâncias sem depender de outras pessoas. Prática, acessível e barata.
Em 1896, Susan B. Anthony, ativista dos direitos das mulheres, declarou que a bicicleta havia feito “mais pela emancipação das mulheres do que qualquer outra coisa no mundo”.
Mesmo com o aumento do empoderamento feminino, o universo de ciclistas homens nos tempos atuais, ainda é muito superior ao das mulheres.
Segundo dados de 2023 do Strava, uma das principais plataformas de esportes, no mundo, as mulheres passam 55% menos tempo pedalando que os homens.
Uma das principais barreiras que impedem as mulheres de andar de bicicleta é a segurança. Investir em infraestruturas viárias, com ruas iluminadas e ciclovias, combater as atitudes sexistas e principalmente, ouvir o que elas, as mulheres ciclistas, têm a dizer são ações que tornam as cidades mais seguras para todos.
Um dos principais movimentos atuais, o da ONU Mulheres, possui uma iniciativa internacional conhecida como “Cidades Seguras e Espaços Públicos Seguros”, onde enfatiza a importância da colaboração entre governos locais, organizações da sociedade civil, setor privado e comunidades locais para enfrentar os desafios relacionados à segurança das mulheres nas cidades. Essa abordagem integrada visa criar ambientes urbanos mais inclusivos e seguros para todas as pessoas, independentemente de gênero.
Ao integrar a inclusão e a segurança das mulheres no desenvolvimento de cidades inteligentes, é possível criar comunidades mais equitativas, justas e adaptadas às necessidades diversificadas de seus habitantes.
As ideias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Connected Smart Cities

Founder e CEO da Startup QUERO PEDALAR, Co-Organizadora do PEDAL VOLUNTÁRIO, uma ONG que atua há 10 anos com trabalho voluntário e ciclismo. Profissional com mais de 20 anos de experiência em Gestão de E-commerces. Graduada em Comunicação Social e Pós-graduada em Marketing, cicloviajante há mais de 20 anos.