MOBILIDADE URBANA: OS CAMINHOS PARA 2022

É imperativo garantir uma mobilidade acessível para todos. Com investimentos e cooperação entre entes governamentais e privados priorizando o transporte público massivo, como ônibus e metrô

Já entramos em um novo ano, e 2022 já nos traz diversas expectativas. Embora a pandemia da COVID19 ainda desperte preocupações, a vacinação segue avançando e, aparentemente, estamos caminhando para um contexto mais estável e controlado do que o vivido nos últimos anos. Porém, o terror parece morar em outro aspecto agora: a economia brasileira, com a inflação galopante e retração do crescimento. Dito isso, refletir sobre os impactos deste cenário na mobilidade e na vida urbana parece importante para que comecemos a nos preparar para o ano que acaba de começar.

Entendo que um bom ponto de início para a discussão é o aumento no preço dos combustíveis. Apenas nos últimos doze meses, a inflação sobre o preço da gasolina nos postos foi de 32%, chegando a ser comercializada por até R $7,00 o litro em diversas cidades brasileiras. O mesmo litro em 2019 era vendido por R$4.55, antes que fossemos impactados pelo coronavírus. O efeito é imediato: dada a importância do frete rodoviário na cadeia de suprimentos, o desdobramento pode ser visto no aumento em alimentos e outros pontos pelo país. Não obstante, tirar o carro da garagem fica ainda mais caro, além de tornar o custo operacional de operadores, em especial de pneus, mais alto. Diversos prefeitos pelo país já vêm discutindo, por exemplo, aumentar a tarifa do transporte público, uma iniciativa de imenso impacto na rotina da grande maioria das pessoas. Como evitar, neste caso, uma crise ainda maior?

Em primeiro lugar, é imperativo garantir mobilidade acessível para todos. Caso o preço da passagem suba a ponto de tornar o transporte inviável, as chances de uma retomada econômica firme e consistente ficam ainda mais distantes. Nesse sentido, é fundamental que haja investimentos e cooperação entre entes governamentais e privados para que o transporte público massivo, como ônibus e metrô, seja priorizado. Segundo dados da SPTrans, apenas na cidade de São Paulo, entre janeiro e outubro de 2021 mais de 1.5 bilhões de pessoas se deslocaram todos os dias por diferentes modais. Em recente fala, o Prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, reforçou a importância de apoio federal para garantir o preço da passagem na cidade, por exemplo.

Não obstante, incentivar políticas públicas que ampliam formas de mobilidade ativa, ou seja, caminhadas e uso de bicicleta, também ajudam a baratear o ecossistema como um todo.  Além de promover comportamentos positivos das pessoas que passam a circular mais pelos centros urbanos, ajudando na construção de cidades mais sustentáveis e consequentemente mais inteligentes.

As ideias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Connected Smart Cities

Pedro Somma
CEO da Quicko, startup de mobilidade urbana. Liderou a área de Operações e Public Affairs da 99 e atuou com com gestão pública e políticas públicas voltadas para apoiar o desenvolvimento econômico, empreendedorismo e geração de trabalho, emprego e renda.
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