POR UMA MOBILIDADE PARA AS PESSOAS

Tornar as cidades mais inteligentes e humanas passa, certamente, por uma mobilidade que esteja conectada às necessidades das pessoas, o que só é possível por meio da colaboração

Quando recebi o convite para contribuir com o portal Connected Smart Cities, me senti muito honrado e também desafiado: qual o conteúdo mais relevante para um público curioso, preparado e crítico?

Após refletir bastante, decidi contar, nessa coluna mensal, um pouco sobre as grandes transformações que a mobilidade urbana tem passado nos últimos anos e, em especial, quais são as principais tendências e oportunidades que estamos percebendo para os próximos anos.



E, nesse texto de estreia, destaco o que considero como a principal mudança de paradigma que estamos vivendo: a construção de uma mobilidade para as pessoas.

NOVAS TECNOLOGIAS

É consenso que a tecnologia, em especial smartphones, permitiu o surgimento de diversos serviços inovadores no ecossistema de mobilidade das cidades. Nos últimos anos, vimos surgir aplicativos para pedir táxis e, posteriormente, motoristas privados, desbloquear bicicletas em docas e até patinetes soltos pelas calçadas. Até mesmo o transporte público viu surgir apps para que os usuários consultassem informações sobre ônibus e metrôs em tempo real a partir da abertura de dados públicos por Prefeituras.

No entanto, ainda que existam mais opções, nenhuma de fato permite ao usuário uma visão completa de sua jornada, ou seja, se você desejar sair de um ponto A para um ponto B, será necessário consultar diversas ferramentas diferentes antes de decidir como fazer o deslocamento.

Neste sentido, uma tendência ainda nascente são as plataformas que permitem ao usuário roteirizar seus deslocamentos considerando diversas opções ao mesmo tempo, como transportes públicos massivos (ônibus, metrô, etc…) e outros modais individuais. A visão é que cada pessoa possa, a partir de análise intermodal, escolher qual a forma mais adequada para chegar ao seu destino.

 MOBILIDADE COMO UM SERVIÇO

A transformação da mobilidade em um serviço centrado nas pessoas, do termo em inglês Mobility as a Service (MaaS), já está sendo testado em diversas cidades ao redor do mundo, como em Londres, na Inglaterra, onde o departamento de transporte municipal (Transport for London, TFL) abriu os dados do setor e também o próprio sistema de pagamento, sendo possível acessar estações e desbloquear bicicletas inteiramente por aplicativos de mobilidade, tornando a jornada das pessoas cada vez mais fácil e prática.

No Brasil, algumas iniciativas despontam no horizonte: em São Paulo, por exemplo, a iniciativa ‘Olho Vivo’ permitiu que empresas e startups privadas usassem dados de localização da frota de ônibus (via GTFS) para desenvolver suas propostas de plataforma e oferecessem à população, viabilizando também os aplicativos de planejamento das jornadas por aqui, como a Quicko e outras empresas.

No entanto, essa realidade não é a regra entre as cidades brasileiras. Enquanto gestores públicos avançam na construção de ambientes mais abertos e inovadores, gerando benefícios reais para suas populações, outros municípios têm dificuldade em se aproximar de tais iniciativas. O fato tecnológico é relevante, mas não é o único e nem o maior.  Antes de tudo é essencial que exista uma visão de parceria entre o setor público e o privado, com o objetivo de melhorar a vida das pessoas nas cidades.

Nesse sentido, se as Prefeituras disponibilizam dados, indivíduos e empresas podem usar essas informações para a criação de soluções que atendam às necessidades dos cidadãos.

Assim, mais informações são geradas e, por meio de convênios, o poder público poderá receber informações das plataformas sobre as dinâmicas de deslocamento urbanos, ter acesso à comentários de passageiros, criar um canal de comunicação com os cidadãos, além de incentivar comportamentos positivos na cidade.

Logo, dialogar é preciso! Tornar as cidades mais inteligentes e humanas passa, certamente, por uma mobilidade que esteja conectada às necessidades das pessoas, o que só é possível por meio da colaboração. 

Espero, então, que essa coluna seja um espaço de diálogo e que as provocações aqui feitas possam trazer boas ideias e, por que não, incentivar ótimas conversas. Contem comigo para isso!

As ideias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Connected Smart Cities  

Pedro Somma
CEO da Quicko, startup de mobilidade urbana. Liderou a área de Operações e Public Affairs da 99 e atuou com com gestão pública e políticas públicas voltadas para apoiar o desenvolvimento econômico, empreendedorismo e geração de trabalho, emprego e renda.
Publicidade
spot_img
spot_img

Últimas Matérias