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EM TEMPOS DE CORONAVÍRUS É PRECISO PENSAR A EDUCAÇÃO À DISTÂNCIA

Como adaptar a realidade da sala de aula em um período de isolamento social e como o Ensino à Distância pode intensificar as desigualdades

O Ensino a Distância é uma nova alternativa que, com o avanço da tecnologia, está se disseminando como solução para estudantes conseguirem de maneira mais prática a qualificação que desejam, seja por níveis técnicos até graduações e pós-graduações. Com a nova crise provocada pelo coronavírus, muitas escolas particulares e públicas do mundo têm se voltado para essa modalidade, já que as práticas de isolamento social obrigaram o fechamento de instituições de ensino.

Prática essa reservada anteriormente para adultos e jovens, agora está sendo adequada para o Educação Infantil e Fundamental. Escolas adaptam plataformas para o formato de vídeoaulas, professoras gravam vídeos e áudios lendo livros para crianças menores que 5 anos e lições e trabalhos são tarefa diária para alunos de quarentena. O que foi um alívio para muitos pais e estudantes que queriam a continuidade do semestre, se tornou o pesadelo de outros: sem acesso à internet e/ou equipamentos adequados para realizar as atividades, a continuidade dos estudos nesse momento se tornou um problema para muitos brasileiros. 

UM PAÍS DESIGUAL

De acordo com a pesquisa TIC Domicílios 2018, 85% das conexões de internet realizadas pelas classes D e E são realizadas exclusivamente pelo celular- sendo apenas 13% o número de usuários que possui acesso a um computador. Ainda, segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), 55% dos acessos feitos por celular no país são pré-pagos, ou seja, possuem um limite restrito de dados de acesso. 

Uma pesquisa mais recente, feita entre estudantes do Colégio Técnico de Campinas da Unicamp (Cotuca), mostra que 98,8% dos 686 estudantes entrevistados possuem smartphones, mas apenas 77,3% possuem plano de internet para esses celulares. Mais agravantes ainda, menos de 70% dos estudantes possuem computadores em casa e 35,7% dos que possuem acesso tem que compartilhar o aparelho com três ou mais pessoas. 

O Ensino à distância, apesar de ser uma solução emergencial para a continuidade do ano letivo é também um meio de acentuar as desigualdades sociais. Em um país em que a educação pública está longe do ideal e já tem um caráter segregador, medidas com essa podem apenas intensificar as desigualdades educacionais entre alunos de alta e baixa renda.

“ERA ISSO, OU CRUZAR OS BRAÇOS”

O secretário estadual da Educação do Paraná, Renato Feder, respondeu que essa era a única alternativa para continuar com o projeto educacional e que ainda em fase de implementação, o projeto terá alguns problemas. O diretor-geral da secretaria, Gláucio Dias, registrou que 200 mil pessoas baixaram o aplicativo Aula Paraná e que a ideia é justamente conseguir, através do app, recriar as mesmas turmas com os mesmos alunos e professores. 

Apesar de iniciativas pontuais, como a do Estado, a maior parte dos alunos e professores da rede pública enfrentam dificuldades com a implementação do novo sistema: por falta de orientação do MEC, muitas escolas improvisam o conteúdo em diferentes plataformas, mas muitos professores sentem que estão dando um tiro no escuro, já que não existe uma consolidação pelo Ministério da Educação do que deve ser feito nesse momento. 

Nesse sentido, é preciso esperar por novas medidas por parte dessas entidades. O momento histórico é atípico e incerto, o que faz com que muitos órgãos públicos tenham que se adaptar e encontrar soluções às pressas para problemas repentinos. É preciso ressaltar, contudo, que, enquanto as escolas particulares continuam implementando o cronograma de aulas normais e os alunos seguem realizando tarefas e assistindo aulas, alunos de escolas públicas estão sem orientação e/ou muitas vezes não possuem equipamentos e nem rede de internet para seguir com esse modelo. 

A educação deve ser inclusiva e deve visar sempre o combate às desigualdades sociais. Com isso, não existe resposta simples para o problema da educação em época de coronavírus. Apenas que, quando o Estado se depara com uma situação de crise, o seu olhar deve se direcionar principalmente para suas populações vulneráveis e o cuidado para que contraste social não se intensifique. 

Beatriz Faria
Especialista em Conteúdo da Necta - Conexões com Propósito

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